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Quem faz nossas roupas?

Por: Julia Codogno

Já parou pra pensar em quem faz as roupas que você usa? Ou de onde elas vêm? Você sabe de onde tantas e tantas peças saem todos os anos? Quem são as mãos por trás de cada roupa que você usa? Pra gente entender melhor sobre isso, vamos voltar um pouco na linha do tempo e pensar nas transformações que essa indústria passou.

Se lá no começo a vestimenta era somente pra quem tinha alto poder aquisitivo e poderia pagar por peças sob medida – com grandes volumes de tecidos, com o passar do tempo tudo isso foi mudando e os acessos foram ficando maiores. Em 1900 começaram a surgir as primeiras fábricas de roupas, possibilitando que mais pessoas pudessem comprar suas peças em lojas e não somente através de encomendas – movimento que ficou conhecido como Pret à Porter (pronto para levar). Ainda no século 20, em 1929, durante a Primeira Guerra, veio a Grande Depressão e a escassez. Vários insumos para produzir as peças já não eram encontrados tão facilmente e as fábricas já não operavam da mesma forma. Os anos 30 foram marcados por uma grande recessão, onde era preferível consertar peças desgastadas à comprar novas (tanto por falta de produtos quanto por falta de dinheiro).

Nos anos 40, durante a Segunda Guerra, o cenário de escassez se repetia. Matérias -primas já não eram produzidas e/ou encontradas, as importâncias se transformaram e a maneira de consumo também mudou. A mulher passou a fazer parte do mercado de trabalho, tendo que optar por outras vestimentas que passaram a compor o guarda roupa feminino e o número de peças de cada pessoa era mais restrito. Já no período pós guerra, tudo se transformou novamente! A década de 50 surge como um berço do consumo. Depois de um período de restrições, a grande indústria reina e passa a inserir no mercado diversos e diferentes produtos e estimular a compra para aquecer o mercado e fazer a economia voltar a girar. Na década de 60 celebridades se destacaram entre as publicidades, novos materiais como o PVC e poliéster entraram no mercado, várias fábricas começaram a surgir e a moda passou a ser acessível a grande massa. E é aí que a maneira como entendemos o mercado de moda começa a surgir.

Nos anos 80, as grandes empresas perceberam que levando suas produções para países asiáticos, poderiam “baratear” suas operações e disponibilizar no mercado produtos ainda mais baratos. Ou seja, poderiam vender mais e mais barato, ganhando através do volume de vendas. Foi nesse mesmo período que o ciclo sazonal que conhecemos tão bem, com lançamentos de uma nova coleção à cada estação, ficou ainda mais intenso.

Chegando aos anos 90, o boom da moda acontece. Com a globalização de marcas e produtos e com maiores acessos, pessoas do mundo todo passaram a querer consumir mais e mais rápido e as marcas não perderam tempo nem oportunidade de expandir seus negócios. Para atender essa demanda desenfreada e o alto desejo por novos produtos, as grandes empresas tiveram que rever rapidamente suas formas de produção. Se antes uma peça levava em média cerca de 4 meses para ser produzida (levando em conta cada etapa do processo), para suprir essa nova necessidade pelo novo, as empresas aceleraram os meios produtivos e já era possível que uma peça levasse apenas cerca de 3 semanas para chegar até as lojas.

Chegamos a era do FAST FASHION. Onde as peças precisam ser feitas de maneira rápida, a custos cada vez menores e sejam perecíveis, “durando” o menor tempo possível! – Já que as marcas precisam vender em volume de peças, lembram?! Claro que para isso, muitos outros processos precisaram ser revistos e é aqui que chegamos ao ponto mais importante desse post. Para produzir de forma rápida, barata e em grande quantidade, os meios são facilmente submetidos à condições alarmantes. Estima-se que hoje, pelo menos 80% das peças produzidas no mundo, venham de algum lugar da Ásia, como Índia, China, Filipinas e Indonésia. Esses lugares não são escolhidos por acaso, como falei ali em cima, esses locais oferecem condições bastante interessantes para as marcas que os escolhem. Boa parte desses lugares são países ainda em condições de desenvolvimento, com situações bastante precárias. Isso possibilita a entrada de diversas empresas – que alegam estar contribuindo para o acesso à empregos e melhores condições à esses trabalhadores – para produzirem seus produtos em lugares com pouca ou nenhuma legislação trabalhista vigente. Essa precariedade faz com que pessoas realizem longas jornadas de trabalho (de até 16 horas por dia), normalmente em prédios clandestinos (sem qualquer condição de segurança), expostos à materiais nocivos à saúde, sem qualquer condição digna de sobrevivência e com salários irrisórios (chegando à receber menos de US$100 por mês).

Segundo um relatório da ONG Remak, cerca de 75 milhões de pessoas trabalham atualmente no mercado da moda no mundo todo. Sendo 80% mulheres entre 18 e 24 anos. Outro relatório mostrou ainda que a existência de trabalho infantil e análogo à escravidão continuam presentes em países como: Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Índia, Indonésia, Filipinas, Turquia e Vietnã. Sim, essas são as pessoas que costuram e produzem as peças que vestimos. Pessoas que não possuem a escolha de não trabalhar diante dessas condições – uma vez que vivem em lugares sem qualquer perspectiva de melhora – e se veem “obrigadas” a continuar nesse sistema sujo e revoltante que se criou. Essa situação é tão grave que, em 2013, mais de 1000 pessoas morreram e mais de 2000 ficaram feridas num acidente em Bangladesh. Esse acidente foi apenas um, de tantos outros que acontecem ano após ano. E isso não está distante de nós, não é uma coisa independente. Quando compramos algo – a fatalmente compramos – estamos ligados à esse processo.

Quando escolhemos consumir de alguma marca, estamos ajudando a financiar esse assassinato coletivo que existe por trás da produção de cada peça. Isso precisa mudar, a indústria precisa se transformar! Nossa maneira de consumir já não pode mais continuar da mesma forma. Vamos repensar nossas escolhas! Podemos estimular o mercado de brechós, como uma grande e forte alternativa para comprar o que já existe. Se já temos tantas peças de roupa – em condições perfeitas de uso, porque não apoiar essa causa?!


Via: @juliacodogno // mabellevitrine.com

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